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Kalil conversa sobre como canetas injetáveis mudaram abordagem da obesidade

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Ozempic, Mounjaro, Wegovy, semaglutida e liraglutida. Hoje a maioria das pessoas sabem o que significam esses nomes difíceis: são remédios injetáveis para emagrecer disponibilizados em canetas e que tem trazido resultados excepcionais para quem tem obesidade.

“A gente teve uma revolução na área de endocrinologia. Começou a se observar que realmente esses remédios funcionam e, é, a perda de peso é maior do que os remédios que a gente usava tradicionalmente. A perda de peso com esses medicamentos chega a até 20%, em alguns mais novos, até 25%”, explica Paulo Rosenbaum, endocrinologista do Hospital Albert Einstein. Ele é um dos convidados do Roberto Kalil no Sinais Vitais deste sábado, junto com Alexandre Azevedo, psiquiatra do Hospital das Clínicas São Paulo.

Rosenbaum aponta, porém, dois problemas: o alto custo dos medicamentos (cada caneta pode custar até R$ 3 mil por mês), e o uso indiscriminado sem acompanhamento médico. “Sem dúvida, existe um abuso porque não precisa de receita médica”.

Não basta apenas perder peso quando se trata a obesidade

O problema de seguir sem acompanhamento é justamente o motivo de haver um psiquiatra nesta roda de conversa: os impactos emocionais da obesidade. “A gente sabe que 30% das pessoas com obesidade apresentam ansiedade e depressão. Muitas vezes essas pessoas procuram vários especialistas e elas chegam no seu consultório já frustradas pela forma como foram tratadas, se sentindo culpadas por ter obesidade”, diz Rosenbaum.

“A gente pode atingir taxas, por exemplo, de uma prevalência de transtorno da compulsão alimentar de até 50% em indivíduos que estão em tratamento clínico para obesidade. E se o tratamento não é focado também para o transtorno de compulsão alimentar, são indivíduos que vão ‘falhar’ no tratamento para obesidade, aumentando a frustração”, acrescenta Alexandre Azevedo. “E essa questão do ciclo de perda e ‘reganhos’ (de peso) é um dos grandes fatores favorecedores da depressão no indivíduo com obesidade”. 

Estudos demostram que existem intervenções de comportamento que podem impactar no sucesso da perda de peso na manutenção desse resultado. Isso pode ser tanto com relação às crenças que as pessoas tem sobre alguns alimentos quanto com orientações de qualidade de vida.

Obesidade é doença crônica e multifatorial

“A gente sabe que existe uma série de fatores psicológicos, biológicos, hormonais, que fazem com que essa pessoa ganhe peso e tenha dificuldade para perder. O grande desafio aí é a modificação de estilo de vida”, diz Rosenbaum. Por isso, os especialistas defendem uma abordagem não focada somente em medicamentos.

“As dietas de restrição podem levar consequências emocionais como sintomas depressivos, sintomas de irritabilidade, impaciência, insônia. E daí entra a orientação nutricional, de que você não precisa abrir mão daquilo que você gosta, você pode moderar a maneira como você se alimenta daquilo”, afirma Azevedo. O psiquiatra ressalta que dormir bem é um fator que tem impacto direto na obesidade. “Dormir mal silenciosamente modifica a resposta metabólica, o gasto energético, favorecendo com que um indivíduo ganhe peso, mesmo que ele não seja um grande comedor, mesmo que ele não tenha um transtorno alimentar, por exemplo”.

Nem sempre ficar magro é o objetivo do tratamento

Azevedo alerta ainda para a importância de alinhar expectativas. “Às vezes algumas palavras como ‘emagrecer’, por exemplo, nem cabem, porque é muito difícil, a depender do IMC de um indivíduo, ele chegar a se tornar magro. Então, talvez o foco sejam metas reais de perda de peso em que o indivíduo possa estar satisfeito com aquelas conquistas e a gente conseguir valorizar essas conquistas”.

“A gente sabe que de 5 a 10% de perda de peso já mostra benefício para saúde e para qualidade de vida. Então acho que cabe ao endocrinologista ou ao médico colocar uma meta realista e mostrar os benefícios que aquela perda de peso vai provocar.

O “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” vai ao ar no sábado, 05 de abril, às 19h30, na CNN Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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