Rubens Barrichello, ex-piloto de Fórmula 1, relembrou episódio polêmico vivido com Michael Schumacher durante o Grande Prêmio da Áustria de 2002. À época, ambos os pilotos guiavam pela Ferrari. As declarações foram dadas ao podcast 100 MiMiMi.
A controvérsia se deu por uma ordem da equipe dada a Rubinho para que ele permitisse a ultrapassagem do alemão, que conquistou a vitória naquela etapa.
O brasileiro revelou que algo semelhante havia acontecido no ano anterior, também no Grande Prêmio da Áustria. Na ocasião, Rubens teve que ceder a segunda colocação para Schumacher após ordens da equipe.
“No ano anterior àquele (2002) aconteceu a mesma coisa, pelo segundo lugar. Quando eu cheguei no box, eu falei para eles sobre isso. Falei: ‘Olha, se fosse para primeiro aconteceria a mesma coisa? (Deixar Schumacher passar) Porque tá errado isso aí’. Eles falaram: ‘Não, não, não, se fosse para primeiro a gente nunca é pedir”, iniciou Rubens.
Barrichello relatou que chegou a “bater boca” com o então chefe de equipe da Ferrari, Jean Todt.
“Então foi por isso que eu fiquei em oito voltas de argumento. Não era trocando ideia, era bater boca. Falei: ‘eu não vou fazer, não vou fazer”, concluiu.
Naquela etapa, Rubinho havia feito uma apresentação memorável. O brasileiro largou na primeira posição do grid e liderou 69 de 71 voltas.
Contudo, as ordens da equipe para favorecer Schumacher visavam garantir o alemão na liderança do Mundial de Pilotos. Antes da prova, o alemão liderava o campeonato com 44 pontos, 21 a mais que o segundo colocado, Juan Pablo Montoya.
Carta com detalhes da conversa
O brasileiro revelou ter uma carta com a transcrição completa da discussão com Jean Todt. Rubens disse ter planos para publicar toda a conversa em um livro ou documentário.
“Eu obedeci (a ordem) porque ficou naquela coisa assim, e era mais argumento, mais argumento. Eu não conto tudo isso porque eu tenho essa carta da conversa. Entendeu? Isso aí tem que sair ou num documentário, ou num livro qualquer hora”, concluiu.
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Michael Schumacher vestindo macacão amarelo, sorrindo enquanto se abaixa na cabine de seu carro durante o Campeonato Mundial de Fórmula 1 em maio de 1992. • Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher antes do Grande Prêmio da Bélgica, realizado no Circuito de Spa-Francorchamps, em Francorchamps, Valônia, Bélgica, no dia 28 de agosto de 1994. Schumacher, que foi desclassificado após terminar primeiro, dirigiu um Benetton B194 com motor Ford Zetec-R 3 5 V8 para a equipe Mild Seven Benetton Ford. • Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher assistindo a uma reprise na televisão da corrida final do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1994, edição em que o alemão foi campeão pela primeira vez. A decisão foi no Grande Prêmio da Austrália, realizado no Circuito de Rua de Adelaide, em Adelaide, no dia 13 de novembro de 1994. Schumacher, que não terminou a corrida, dirigiu um Benetton B194 com motor Ford Zetec-R 3 5 V8 para a equipe Mild Seven Benetton Ford. • Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images
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Os pilotos Bertrand Gachot, Ayrton Senna, Michael Schumacher, Rubinho Barrichello, Michele Alboreto, Olivier Panis, Christian Fittipaldi e Jean Alesi em São Paulo no dia 27 de março de 1994 durante o Grande Prêmio do Brasil. • Jean-Marc LOUBAT/Gamma-Rapho via Getty Images
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Michael Schumacher enquanto fala com os dirigentes da equipe antes do Grande Prêmio da Argentina, realizado no Autódromo Oscar Alfredo Galvez, em Buenos Aires, Argentina, no dia 9 de abril de 1995. O alemão terminou a corrida em terceiro lugar, pilotou um Benetton B195 com motor Renault RS7 3 V10 para a equipe Mild Seven Benetton Renault. • Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher posa para fotógrafos antes do Grande Prêmio da Alemanha, realizado em Hockenheimring, Alemanha, no dia 28 de julho de 1996. Schumacher terminou a corrida em quarto lugar e pilotou um carro Ferrari F310 com motor Ferrari 046 3 V10 para a equipe Ferrari. • Marcus Brandt/Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher conversando com um oficial da equipe antes do Grande Prêmio da Hungria, realizado em Hungaroring, em Mogyorod, Hungria, no dia 10 de agosto de 1997. Schumacher terminou a corrida em quinto lugar e pilotou uma Ferrari F310B carro com motor Ferrari 046/2 3 V10 para a equipe Ferrari • Marcus Brandt/Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher posa ao lado de seu carro Ferrari F310B com motor Ferrari 046/2 3 V10 antes do Grande Prêmio da Europa, realizado no Circuito Permanente de Jerez, em Jerez de la Frontera, Espanha, no dia 26 de outubro de 1997. Schumacher não terminou a corrida. • Marcus Brandt/Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher é parabenizado por sua equipe após o Grande Prêmio da Alemanha, realizado em Hockenheim, na Alemanha, no dia 27 de julho de 1997. Schumacher terminou a corrida em segundo lugar e dirigiu um carro Ferrari F310B com motor Ferrari 046/2 3 V10 para a equipe Ferrari • Bongarts/Getty Images
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Michael Schumacher no pódio com o vencedor da corrida, o piloto austríaco Gerhard Berger à direita do quadro, no Grande Prêmio da Alemanha, realizado em Hockenheim, na Alemanha, no dia 27 de julho de 1997. Schumacher terminou a corrida em segundo lugar e pilotou um carro Ferrari F310B com motor Ferrari 046/2 3 V10 para a equipe Ferrari. Berger dirigiu um carro Benetton B197 com motor Renault RS9 3 V10 para a equipe Mild Seven Benetton Renault. • Foto de Bongarts/Getty Images
Reação após controvérsia
Durante a cerimônia de premiação da prova, Schumacher deu o troféu de vencedor para Rubens. Ainda assim, a atitude não foi suficiente para conter a insatisfação do público, que vaiou o alemão.
Rubens expôs o sentimento após a controvérsia e disse ter passado mal depois do ocorrido.
“Assim, acabou a corrida e eu fiquei olhando (para o público) e pensei assim: ‘Cara, eu fiz a coisa certa?’ Porque você olha para o público, o público tava passado, né, vaiando. As equipes inteiras vaiando, e o Schumacher se sentiu mal nesse momento”, iniciou.
“Depois que acabou o pódio, antes de ir para a conferência de imprensa, eu pedi para ir ao banheiro e passei mal. Muito mal. Eu estava incomodado, precisava de um telefone para ligar para o meu pai. Era esse cara (pai), minha mãe, as pessoas que trabalham por mim, que deram tudo por mim”, concluiu.
Carreira
Barrichello disputou 323 Grandes Prêmios em sua carreira na Fórmula 1. Com passagens pelas equipes Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brown GP e Williams, o brasileiro conquistou 14 pole positions e 11 vitórias.
Rubinho tem como melhores resultados em Mundiais de Pilotos dois vices-campeonatos, em 2002 e 2004.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br